Sua Santidade 12º Gyalwang Drukpa

“Em torno de três mil anos após meu parinirvana,
no mundo das Terras Nevadas, num tempo futuro,
quando ocorrer a mudança deste próprio período bhagyagarbha,
aquele que nascerá na família Hashang possuirá o nome Guêlong Yêshe Dordje.
Renunciando ao mundo ele irá em busca do significado essencial.
Ele irá estabelecer os seres em amadurecimento e liberação.
Repousando no significado real livre dos dois extremos,
ele irá propagar meus ensinamentos.”

(Buddha Shakyamuni profetizando a vinda dos
Gyalwang Drukpas no Manjushri Mula Tantra)

Inteligência Iluminada

A Tradição Buddhista Tibetana do Vajra-yana ensina que, embora a Perfeita e Completa Iluminação liberta aquele que a realiza das forças que conduzem ao renascimento e morte, uma inteligência iluminada que transcende o auto-centramento pode, intencionalmente, continuar a operar neste mundo ilusório para benefício dos seres, até que todos estes realizem o mesmo estado. A estes, o budismo tibetano chama de Tulkus (reencarnações de mestres), ou Bodhisatvas encarnados (seres de bondade e sabedoria imensurável), que continuam a reaparecer em nosso mundo a serviço do Dharma e dos seres.

Sua Santidade Gyalwang Drukpa (no português “Guial.uang Drukpa”) é o líder e orientador espiritual, a autoridade máxima da Linhagem Drukpa do Budismo Tibetano. Reconhecido como a 12º reencarnação do fundador de sua linhagem, o Siddha e 1º  Gyalwang Drukpa Tsangpa Guiáre Yêshe Dordje (1161 – 1211 d.C.), Sua Santidade carrega consigo a responsabilidade de liderar uma linhagem com quase um milênio de existência e de orientar  mais de 800 monastérios  no Tibete, Ladhak, Lahaul (Garsha), Kinnour, Sikkim e Nepal.

Desde Tsangpa Guiáre, suas  sucessivas reencarnações são apontadas e nomeadas como os líderes supremos da Linhagem Drukpa, considerados  emanações de Avalokiteshvara (o Buda da Compaixão) e encarnações do Grande Pandita e Marra-siddha indiano Naropa (1016-1100 d.C.).

A cada dez anos as relíquias e ornamentos autênticos de Naropa, que permanecem sob a guarda dos Gyalwang Drukpas, são exibidas em uma profunda e especial cerimônia que dura vários dias e que se chama “A Liberação pela Visão dos Ornamentos de Naropa” na qual S.S.Gyalwang Drukpa veste os ornamentos originais do Marra-siddha indiano do século XI e concede o empoderamento e bençãos ao público através desta cerimônia.

Preciosa Família

O pai do atual Gyalwang Drukpa , o mestre Dzogtchen Jitchen Vairotcha na, carinhosamente endereçado como Bairo Rinpoche  (no português “Bêro Rinpotche”), um renomado mestre da Linhagem Nyingma, é reconhecido como uma emanação do Buddha Vairotchana como também a 36º reencarnação do Pandita Vairotchana, um dos principais e ilustres discípulos de Guru Padmasambhava e um renomado  e realizado tradutor de textos sagrados (no tibetano Lotsaua) do sânscrito para a língua tibetana. Bêro Rinpotche foi o abade do Mosteiro Kathog Jitchen, em Kham, no leste do Tibete. A mãe de Gyalwang Drukpa, Kelsang Yudron, respeitosamente chamada de Mayum-la (do tibetano consorte feminina no mantra secreto), é filha de um reverenciado yôgui como também uma discípula de Sua Santidade Dudjom Rinpotche, Dzogtchen Rinpotche e muitos outros renomados lamas. Seu tio, o irmão de seu pai – S.S. Moksa Rinpotche – é a atual autoridade máxima da Linhagem Kathog da Escola Nyingma da Tradição Buddhista Tibetana.

Auspicioso Renascimento

“A mágica dança ilusória do Grande Pandita Naropa
aparecerá em Druk e Ralung como Tsangpa Guiáre.”

(Palavras de Guru Padmasambhava 
sobre a vinda do primeiro Gyalwang Drukpa, 
contidas em um de seus Tesouros Escondidos 
(tib. Terma), descoberto pelo Terton Pema Lingpa)

No 10º dia do 1º mês do calendário tibetano, data sagrada comemorativa de Guru Rinpotche, sob o aconchego de uma árvore em frente ao lago Tso Pema (o Lago Lótus em Rewalsar, no norte da Índia), local sagrado de Padmasambhava e de sua consorte Yôguini Mandarava, na companhia de seu pai, a reencarnação de um dos 3 principais discípulos de Guru Rinpotche, o Gyalwang Drukpa tomou nascimento durante a dança espiritual dos Lamas simbolizando as Oito Manifestações de Guru Padmsambhava, presidida e liderada por seu supremo representante, Sua Santidade Dudjom Rinpotche.

Em tais circunstâncias auspiciosas conectadas a Guru Padmasambhava –  no seu local, dia e mês sagrados, em meio as danças espirituais de suas oito manifestações – S.S. Dudjom Rinpotche, líder supremo da linhagem Nyingma do budismo tibetano na época, ofereceu um kathag (enxarpe, uma oferenda simbólica) ao bêbe e batizou o então Gyalwang Drukpa com o nome de Djigme Pema Uangtchen (O Imenso Poder do  Lótus do Destemor).

Diversos sinais e presságios auspiciosos ocorreram antes e durante o nascimento do Gyalwang Drukpa. Durante a gravidez de sua mãe, seus pais frequentemente ouviam o cântico do mantra de Amitabha vindo de dentro do útero de sua mãe. Também, temporais com estrondorosos trovões, relâmpagos, neve, arco-íris e outros sinais manifestaram-se  visivelmente em seu nascimento o que, na cultura oriental, significam indícios da celebração do nascimento de um grande e especial ser humano. O falecido Pauô Rinpotche, que estava em Varanasi (local sagrado de Buda Shakyamuni na Índia), neste período, ciente do nascimento de uma criança incomum, realizou a meditação de um Sur de Tchod para prestar suas homenagens e respeito.

Criança Prodígio

Mesmo antes de aprender a ler e escrever, o jovem Gyalwang Drukpa já tinha familiaridade com as escrituras sagradas. Quando quer que as páginas destes textos não estivessem em sua ordem correta, ele imediatamente percebia e apontava o engano. Além disso, a delicada e incomum criança repetidamente proclamava à seus pais que era um grande Lama e que possuía um mosteiro e uma residência espiritual. Um dia o menino de três anos de idade disse a seus pais “um homem com uma barba branca está vindo para me levar de volta para meu monastério”. Logo depois, a equipe de procura composta  pelos discípulos do prévio Gyalwang Drukpa chegaram à casa do menino em Dalhousie, no norte da Índia. O “homem com uma barba branca”(o 1º Thuksê Rinpotche) finalmente havia chegado, à procura da jovem criança que poderia ser a reencarnação de seu Guru, o 11º Gyalwang Drukpa.

A pequena criança reconheceu alguns dos  assistentes e discípulos de sua vida passada e, para a grande surpresa de todos, os chamou pelos seus exatos nomes. O menino também identificou corretamente alguns dos pertences de seu antecessor a partir de um ajuntamento aleatório de artefatos. O 1º Thuksê Rinpotche imediatamente soube que esta criança era, de fato, a genuína reencarnação de seu falecido mestre.

O menino foi oficialmente reconhecido como a 12º reencarnação dos Gyalwang Drukpas por Sua Santidade Dalai Lama, S.Ema.Thuksê Rinpotche e por muitos outros renomados mestres.Imediatamente após a sua descoberta, o jovem tulku foi entronizado no monastério do 8º Khamtrul Rinpotche, em Dalhousie, na Índia e, então, oficialmente entronizado em Dharamsala, por S.S.Dalai Lama.

Um ano depois, o garoto de quatro anos de idade foi novamente entronizado no mosteiro de sua própria linhagem, Dotsok Gonpa, em Darjeeling, no noroeste da Índia.

Lá ele foi cuidado e educado pelo seu Guru Raíz, o falecido regente da Linhagem Drukpa, Kyabdje Thuksê Rinpotche (filho do 10º Gyalwang Drukpa). Também neste mesmo local, ele foi treinado pelos Veneráveis Khenpo Noriang, Khenpo Nauang (principal Khenpo da linhagem e reencarnação de Shauaripa, um dos 84 Marra-siddhas da Índia), Khenpo Nauang Tchodak (seu tutor oficial) e pelo seu próprio pai, Bêro Rinpotche. A partir deste momento, o 12º Gyalwang Drukpa reassumiu a liderança de sua própria e original linhagem.

Desde muito pequeno, o Gyalwang Drukpa manifestava extraordinárias características de um ser especial. Mesmo antes de sua descoberta e de seu reconhecimento oficial, ele era naturalmente bondoso e cuidadoso com todos os seres que encontrava, fossem eles animais, insetos ou qualquer criatura negligenciada e destratada. Ainda criança tornou-se vegetariano por decisão própria, após descobrir que um pedaço de bife que comia vinha de uma vaca que havia cruzado por ele anteriormente.

O jovem Gyalwang Drukpa penetrou em ambos os aspectos teórico e prático da profunda Visão, Meditação e Ação de sua tradição espiritual e os compreendeu sem qualquer dificuldade e impedimentos. Quando tinha 9 anos de idade ele começou a meditar sob a orientação pessoal do 1º Thuksê Rinpotche. Ainda que muito jovem, ele já experenciava em suas meditações a profunda compaixão e o amor incondicional através de um entendimento intuitivo da visão última da vacuidade. Em algumas ocasiões, o pequeno Gyalwang Drukpa encontrava-se em lágrimas e espontaneamente compartilhava sobre a genuína compaixão e amor imparciais, surpreendendo todos ao seu redor.

Transmissão da Experiência

No decorrer de seu treinamento, Sua Santidade recebeu a transmissão completa da Linhagem Nyingma do Grande Mestre Dzogtchen S.S. Dudjom Rinpotche, um de seus principais Gurus. Também, de S.S. Dalai Lama, ele recebeu muitos empoderamentos, transmissões, instruções e votos de todos os veículos ou yanas da Tradição Buddhista Tibetana.

Adicionalmente, estudou e treinou com diversos extraordinários mestres espirituais, tais como Jitchen Ongtrul Rinpotche, o bondoso e realizado mestre da Linhagem Kathog Nyingma; Lopon Kang.ri Rinpotche, um dos mais notáveis yôguis deste século, respeitado por todos os mestres de todas as escolas e linhagens do budismo tibetano, o qual passou a maior parte de sua vida em solitude nas montanhas, contenplando a natureza de sua mente através do Marra-mudra; o Yôgui Guên Khyentse, renomado mestre de Marra-mudra e dos Seis Dharmas/Yogas de Naropa, discípulo direto do Siddha Tripon Pema Tchoguiel e de Apho Rinpotche, ambos discípulos diretos do Marra-siddha Shakya Shri; o atual líder e autoridade máxima da Escola Nyingma, o Sublime Preceptor Monástico, Detentor Dzogtchen e mestre do atual Dalai Lama,  S.S.Trulshik Rinpotche; o renomado Yôgui e Siddha S.S. Dodrubtchen Rinpotche; o falecido Grande Detentor da Escola Káguiu, Pauô Rinpotche, mestre de ambos Marra-mudra e Marra-Ati e, a partir de sua linhagem familiar, com seu tio S.S.Moksa Rinpotche e com seu pai Kyabdje Bêro Rinpotche, treinou e recebeu as transmissões completas da Linhagem Kathog Nyingma e, pelo seu mestre raíz, o regente da Linhagem Drukpa, Kyabdje Thuksê Rinpotche, que lhe concedeu todas as transmissões de sua própria tradição, a Linhagem Drukpa.

A cada profunda instrução recebida, através de sua devoção e confiança inabalável para com seus mestres e o Dharma, o Gyalwang Drukpa dirigia-se incógnito a desempenhar retiros por vários meses e anos em cavernas sagradas e locais remotos nos Himalaias. Em sua vida, no estilo da antiga tradição de yôguis renunciantes, foram longos e diversos retiros desempenhados de forma a seguir as instruções de seus Gurus.

Sua Santidade Gyalwang Drukpa é hoje considerado um consumado detentor de Linhagem de ambas as Escolas Káguiu e Nyingma do budismo tibetano, tendo atingido maestria nos ensinamentos de Marra-mudra e Dzogtchen, os quais, através das bençãos de seus Gurus, tornou-se um autêntico mestre transmissor.

Fundado em seu vasto treinamento, Sua Santidade representa, orienta e corporifica a Linhagem Drukpa, sustentando e transmitindo uma tradição  cuja  energia espiritual está sendo acumulada durante muitos séculos.

Site oficial (inglês)
www.drukpa.org